CAMAÇARI – O cenário político da Câmara Municipal de Camaçari foi sacudido por novas e graves suspeitas de irregularidades administrativas. O Soldado Andrade, conhecido popularmente como “o xerife”, trouxe a público desdobramentos de uma investigação que corre no Ministério Público (MP) e que envolve diretamente o presidente do legislativo municipal, o vereador conhecido como “Niltinho”.
A investigação, que teve início após uma denúncia formalizada por Andrade, apura a existência de quatro aparelhos de ar-condicionado considerados “fantasmas”, instalados nos gabinetes 22 e 23 sem o devido tombamento e registro no patrimônio público.
—
A Defesa Incomum: Doação “Do Próprio Bolso”
Em resposta oficial enviada ao Ministério Público e repassada ao denunciante em 12 de julho de 2026, a presidência da Câmara Municipal apresentou uma justificativa que gerou forte contestação. Segundo os documentos da defesa, o presidente do órgão alegou ter arcado com os custos dos quatro aparelhos utilizando recursos do próprio bolso, cujo valor total estimado superaria os R$ 7.100,00.
No entanto, o argumento central da defesa acabou por expor uma fragilidade administrativa ainda maior. O próprio legislativo municipal reconheceu textualmente que a suposta doação não foi formalizada no momento em que os aparelhos foram entregues e instalados, ainda no ano de 2025.
«”A regularização posterior não afasta a necessidade de responsabilidade pela ausência de controle patrimonial durante os meses.”»
De acordo com o apurado, a Câmara admitiu que os procedimentos legais de regularização só tiveram início após a instauração da “notícia de fato” pelo Ministério Público. Para tentar sanar a ausência de registros, a gestão legislativa precisou abrir, às pressas, o processo administrativo nº 323/2026 para elaborar, retroativamente, laudos de avaliação, pesquisas de preço, termos de doação e registros patrimoniais que simplesmente não existiam. Até o momento, o tombamento patrimonial e o registro contábil dos bens não haviam sido integralmente concluídos.
—
O “Xerife” Contestará e Exigirá Provas Documentais
Com um prazo de dez dias para apresentar sua réplica diante da defesa apresentada, o Soldado Andrade anunciou que irá solicitar formalmente que o Ministério Público realize diligências profundas e imediatas.
O foco da contraofensiva investigativa será a exigência de provas materiais irrefutáveis de natureza financeira e fiscal. Andrade sugere que o MP intime o presidente da Câmara a apresentar:
– Notas fiscais originais de compra dos quatro aparelhos;
– Comprovantes bancários de pagamento que atestem o fluxo financeiro saindo de sua conta pessoal;
– Cronologia exata dos fatos: comprovação das datas efetivas de aquisição, instalação, tombamento, além dos registros contábeis e do inventário patrimonial do biênio 2025/2026.
—
Histórico de Tensões e Outras Investigações
A atual denúncia dos climatizadores adiciona mais um capítulo ao histórico de embates e suspeitas que cercam a gestão de Niltinho na presidência da Casa Legislativa. O Soldado Andrade relembrou publicamente que o parlamentar já é alvo de outras representações formais de sua autoria perante o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e o próprio Ministério Público.
Entre as denúncias anteriores que pesam contra o presidente da Câmara, destacam-se a suspeita da prática ilegal de “rachadinha” (desvio de salários de assessores) e a concessão de gratificações consideradas milionárias dentro da estrutura do funcionalismo da Casa.
Colocando sob forte desconfiança a versão de “generosidade” do gestor, o denunciante disparou:
«”Eu duvido muito que você tenha tirado do bolso […] mais de seis mil reais para doar quatro ar-condicionados para os dois gabinetes novos.”»
O Ministério Público deverá analisar os novos pedidos de diligência nos próximos dias para determinar se houve improbidade administrativa ou crime contra a administração pública na ocultação inicial dos bens.
O espaço segue aberto para os esclarecimentos formais por parte da presidência da Câmara Municipal de Camaçari.




