Em apenas nove meses de atividade oficial, o complexo na Bahia atingiu a marca de 100 mil veículos eletrificados produzidos, emprega 5,5 mil pessoas diretamente e se prepara para ampliar sua nacionalização.
O polo industrial localizado em Camaçari, na Bahia, acelerou sua expansão de forma notável desde a inauguração da primeira etapa, em outubro de 2025. Em menos de um ano, ultrapassou a produção de 100 mil veículos eletrificados e emprega atualmente 5,5 mil funcionários diretos. Essa evolução consolida a planta como uma das mais importantes fora da Ásia para a montadora chinesa, além de transformar o cenário automotivo local.
O veículo que marcou a produção de 100 mil unidades foi o compacto elétrico Dolphin Mini. Este modelo, produzido no mesmo complexo que o sedã híbrido King e o SUV híbrido plug-in Song Pro, se destacou no mercado nacional. O Dolphin Mini liderou as vendas no varejo de veículos elétricos por cinco meses consecutivos e ultrapassou a marca de 35 mil unidades comercializadas em 2026 até meados de julho.
Expansão no quadro de colaboradores
- A contratação de mão de obra acompanhou o ritmo crescente da produção.
- Nos primeiros 60 dias, foram registrados mil funcionários diretos.
- Seis meses após o início oficial, o número subiu para 3 mil colaboradores.
- A 250 dias de operação, a força de trabalho chegou a 5,5 mil pessoas.
Além disso, a distribuição geográfica dos trabalhadores mostra o impacto local da fábrica: 86% são baianos, e mais da metade, 52%, reside exatamente em Camaçari. Isso fortalece a economia municipal, já que os empregos geram renda diretamente nas proximidades da produção, elevando a demanda por comércio, serviços, formação técnica e transporte.
Essa diversificação de vagas abrange desde a montagem final até setores como soldagem, logística, controle de qualidade e suporte industrial. A ampliação do complexo também deve impulsionar fornecedores de peças, manutenção e serviços especializados, acompanhando as fases de nacionalização da produção.
R$ 5,5 bilhões investidos rumo à nacionalização
O polo em Camaçari é resultado de um investimento total de R$ 5,5 bilhões. Para o segundo semestre de 2026, estão previstas novas instalações para estamparia, soldagem e pintura – áreas fundamentais para aumentar o conteúdo nacional e diminuir a dependência de componentes importados ou parcialmente montados no exterior.
Essas etapas demandam máquinas avançadas, processos rigorosos de qualidade, formação especializada e uma maior integração com fornecedores locais. Assim, a produção de 100 mil unidades serve como um marco que indica a transição de uma montagem inicial para um processo industrial mais robusto e integrado no Brasil.
Essa estratégia também se alinha com investimentos em outras frentes, como o fortalecimento de infraestrutura para testes e validação de veículos, contribuindo para uma melhor adaptação dos modelos às condições locais e ampliando a participação de profissionais brasileiros no desenvolvimento.
Cadeia de fornecedores em destaque
O próximo desafio será ampliar a participação da cadeia produtiva nacional. A entrada em atividades como estamparia, pintura e soldagem complexifica o processo produtivo e gera oportunidades para fabricantes de peças, empresas de automação, logística e serviços técnicos especializados.
Esse movimento deve reduzir os prazos de suprimentos, tornar a produção menos vulnerável às variações nos transportes internacionais e fortalecer a economia local. Estima-se que, em plena capacidade, o complexo possa gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos, dependendo da evolução das etapas seguintes e da consolidação da rede de fornecedores.
Por enquanto, os 5,5 mil postos diretos já estabelecidos representam o dado concreto mais relevante, enquanto a ampliação para 20 mil permanece como uma projeção vinculada à maturação do projeto.
Impacto para o setor automotivo brasileiro
Produzir 100 mil veículos em nove meses oferece à fabricante uma plataforma industrial sólida para expandir as vendas sem depender exclusivamente de importações. Isso ganha importância com as mudanças nas políticas tarifárias voltadas a veículos eletrificados, tornando essencial o equilíbrio entre preço, conteúdo local e oferta.
Para os consumidores, a presença local da produção pode resultar em maior disponibilidade de modelos e um serviço pós-venda mais estruturado. Para Camaçari, o crescimento da planta reforça uma tradição automotiva histórica, criando empregos e movimentando o mercado regional.
Já os fornecedores brasileiros terão chances concretas, desde que atendam aos critérios de qualidade, escala e competitividade alinhados ao ritmo da montadora.
Este avanço faz parte de uma tendência maior de investimentos em mobilidade elétrica, energia e infraestrutura, com potencial para transformar o mercado nacional e incentivar a aceleração dos programas de eletrificação em toda a indústria automotiva.





