
Tragédia em Pojuca: 43 Anos do Maior Acidente Ferroviário da Bahia
Há mais de quatro décadas, a Rua da Piedade, em Pojuca, foi palco de uma das maiores tragédias da história da Bahia. Na manhã do dia 31 de agosto de 1983, o descarrilamento de três vagões carregados com gasolina e óleo diesel iniciou uma série de acontecimentos devastadores que resultaram em 99 mortes e dezenas de feridos.
O Acidente
- O trem, composto por uma locomotiva e 22 vagões-tanque, saiu da Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, com destino ao Terminal Riachuelo, em Sergipe.
- Três vagões carregavam aproximadamente 135 mil litros de combustível quando, próximo ao cemitério de Pojuca, eles tombaram, derramando gasolina e diesel nas proximidades das residências.
- Condições precárias da ferrovia, como dormentes danificados, parafusos frouxos e ferrugem, foram apontadas como fatores que contribuíram para o acidente.
A Reação da População
- Muitos moradores ignoraram os riscos e começaram a coletar o combustível vazado em diversos recipientes, como panelas e baldes.
- Parte do líquido era levada para casa, enquanto outra parte era vendida.
- A movimentação atraiu também pessoas de municípios vizinhos, que buscavam abastecer veículos.
- Por volta das 10h, cerca de duas mil pessoas estavam reunidas no local, situação difícil de controlar para a equipe policial local, que contava com apenas dez soldados.
Esforços de Contenção
- Funcionários da ferrovia, com apoio da Petrobras e do Polo Petroquímico de Camaçari, trabalharam durante o dia para retirar o combustível dos vagões e conter o derramamento.
- Mesmo com as operações em curso, moradores permaneceram próximos à área, aumentando o risco de acidente.
As Explosões e Suas Consequências
- Por volta das 20h30, cerca de 13 horas após o descarrilamento, ocorreram três explosões que se espalharam pela Rua da Piedade.
- Mais de 30 pessoas morreram carbonizadas no local, e outras sofreram queimaduras graves.
- O total de vítimas fatais chegou a 99, enquanto o número de feridos foi estimado entre 100 e 120.
- O sistema de saúde local não suportou a demanda, e muitos pacientes foram transferidos para hospitais da capital baiana.
- Além das perdas humanas, dezenas de imóveis foram destruídos ou danificados pelo fogo.
Reparação e Investigação
- Famílias desabrigadas foram reassentadas no bairro Inocoop, com entrega de escrituras por parte da ferrovia.
- Indenizações variaram, na época, entre Cr$ 900 mil e Cr$ 2,4 milhões, valores que correspondem atualmente a aproximadamente R$ 3,2 mil a R$ 8,7 mil.
- Investigações levantaram hipóteses diversas sobre a origem do fogo, incluindo uma centelha do motor da bomba usada na transferência do combustível ou problemas durante a recolocação dos trilhos.
- Não houve consenso definitivo sobre a causa exata da explosão.
Responsabilidades e Consequências Legais
- Uma apuração interna da ferrovia resultou em punições para nove funcionários, incluindo advertências, suspensões e demissões.
- A empresa responsável pela carga alegou que sua responsabilidade terminava ao entregar o combustível nos vagões, enquanto a ferrovia inicialmente negou responsabilidade plena pelo acidente.
- A ação penal aberta em 1985 não avançou e foi arquivada em 1994, encerrando o caso sem responsabilização criminal.
Quase 43 anos após o desastre, o episódio permanece como um triste capítulo da história local, marcado pelas vidas perdidas e lições sobre os riscos no transporte de cargas perigosas.





