Investimento do ISSM em Fundo da Sculptor e Suposta Propina
Um relatório da Polícia Federal revela que, em 2017, o Instituto de Seguridade do Servidor Municipal de Camaçari (ISSM) destinou R$ 15 milhões ao fundo de investimento Sculptor, em troca de vantagens ilícitas para alguns dirigentes. Naquela época, a prefeitura era chefiada por Elinaldo Araújo, que atualmente concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa e mantém aliança política com ACM Neto.
Dinâmica dos Recursos Investidos
A apuração indica que o investimento não teve como objetivo a aquisição de novos ativos pelo fundo. Em vez disso, os valores serviram para remunerar outros cotistas, como o município de Uberlândia (MG), que recebeu R$ 10,5 milhões, e Hortolândia (SP), que recebeu R$ 2,3 milhões. O relatório destaca que Camaçari foi o último cotista a aportar recursos, mesmo com o fundo já apresentando problemas de liquidez e fechado para novas aplicações.
Possível Envolvimento do Consultor Financeiro
A investigação sugere que Renato de Matteo Reginatto, sócio da consultoria Di Matteo Financeira (atual DMF Advisers), teria oferecido vantagens indevidas aos dirigentes de Camaçari para viabilizar o aporte no valor mencionado.
Posicionamento do Ex-Prefeito
Em uma nota divulgada, Elinaldo Araújo afirmou que sua gestão foi responsável por identificar as irregularidades e instaurar uma sindicância interna para investigar o caso. As suspeitas foram remetidas à Polícia Federal e ao Ministério Público, com a responsabilização dos diretores envolvidos.
O ex-prefeito enfatizou que o ISSM é uma autarquia com autonomia administrativa e financeira e esclareceu que não consta como réu em nenhuma ação penal ligada às investigações.
Histórico Político de Elinaldo Araújo
- Foi vereador de Camaçari por dois mandatos, entre 2008 e 2014;
- Suplente de deputado estadual durante o mesmo período;
- Eleito prefeito da cidade em 2016 e reeleito em 2020.
Nota Completa do Ex-Prefeito
O ex-prefeito de Camaçari esclarece que não é réu na ação penal relacionada aos investimentos do ISSM no fundo Sculptor. Ele não está entre os cinco acusados pelo Ministério Público Federal e não foi apontado como beneficiário de quaisquer vantagens indevidas.
Reforça que as irregularidades foram identificadas pela própria administração, que imediatamente iniciou sindicância e encaminhou as suspeitas às autoridades competentes, responsabilizando os diretores envolvidos. Destaca ainda que o ISSM opera com autonomia financeira e administrativa.
O investimento de R$ 15 milhões no fundo foi efetuado pelo ISSM, que gerencia seus próprios recursos previdenciários. Ao perceber indícios de irregularidades, já em 2018, o instituto solicitou o resgate total dos valores. Na sequência, a prefeitura acionou as autoridades e adotou medidas judiciais pertinentes, com o pedido de resgate formalizado no dia 8 de agosto de 2018.
O ex-gestor critica que, quase dez anos depois e em plena época eleitoral, adversários tentem usar essa investigação para atribuir culpa a quem não figura como réu, com base em associações políticas ou eleitorais. Reforça que as responsabilidades devem ser apuradas pela Justiça de forma individualizada e fundamentada em provas.






