O que deveria ser uma sessão ordinária comum, transformou-se em um dos capítulos mais sombrios da história do Legislativo municipal. Sob a sombra de manobras políticas e um visível descontrole emocional, o embate entre a Comissão de Finanças e os educadores escalou para atos de agressividade que muitos classificam agora como violência política de gênero e misoginia escancarada.
📌 O Estopim: Um Contracheque “Lascado” e a Simbolia da Agressão
O clima, que já era de tensão devido ao travamento do Projeto de Lei (PL) que garante ganhos de até 10,36% à categoria, explodiu quando o vereador Jamessom, em um gesto de profundo desrespeito, manipulou e lançou o contracheque da presidente do SISPEC, Sara Santiago em sua direção.
O ato não foi apenas um ataque ao documento, mas um ataque à dignidade de uma mulher em posição de liderança. Ao tentar expor a vida financeira da representante máxima dos professores para deslegitimar a luta de toda uma rede, o parlamentar utilizou táticas de intimidação que raramente são vistas contra lideranças masculinas. A cena, que rapidamente viralizou, levantou um coro de indignação nas redes sociais: rasgar o direito de uma mulher de liderar é o estágio mais baixo da política.
📌 “Demônios”: O Uso da Religião para Desumanizar a Classe
Como se o ataque físico ao documento não bastasse, o vereador Jamessom foi flagrado na saída da Casa Legislativa desferindo ofensas religiosas contra os educadores, falando que eles estavam com “demônios”.
O uso de termos para desumanizar quem educa os filhos da cidade — em sua maioria mulheres, mães de família e profissionais dedicadas — reforça o viés misógino da bancada de oposição. Quando a política perde o argumento técnico e contábil (como a suposta falta de pareceres de consultorias), ela recorre ao insulto moral e à demonização da figura feminina.
📌 O Cerco ao Legislativo: Acampamento por Dignidade
Em resposta ao que chamam de “festival de horrores”, os professores anunciaram a ocupação imediata da Câmara Municipal. O temor é real: a categoria acredita que, sem a vigília constante, a oposição votará o parecer “na surdina” para prejudicar o cronograma de pagamentos da Prefeitura.
“Não sairemos daqui enquanto a dignidade do professor não for restaurada. O que vimos hoje foi um ataque às mulheres que sustentam a educação de Camaçari”, afirmou uma professora que participava do cerco.
📌 O Silêncio que Envolve Herbinho e Jamelão
Enquanto Jamessom assume o papel de linha de frente da agressividade, os vereadores Herbinho (Presidente da Comissão) e Jamelão seguem sendo cobrados pela omissão. Ao permitirem que o debate salarial se transforme em um campo de ataques pessoais e misóginos, a cúpula da Comissão de Finanças torna-se cúmplice do atraso que atinge milhares de famílias camaçarienses.
Amanhã, a votação do parecer está agendada. No entanto, o que se votará na Câmara não é apenas uma porcentagem salarial, mas se a cidade aceitará que seus representantes tratem mulheres e educadores com o autoritarismo de quem se acha acima da lei e do respeito humano.





