Na Região Metropolitana de Salvador, uma iniciativa especial vem ganhando destaque no Centro de Educação Municipal de Camaçari (CEMC). Criado há cerca de oito anos pela professora de Língua Inglesa Edite Souza Ramos, o projeto “Bullying e Cyberbullying: Conscientizar para Prevenir e Construir uma Cultura de Respeito” utiliza atividades educativas e a produção de materiais realizados pelos próprios alunos para enfrentar o bullying e o cyberbullying.
Como funciona o projeto
Atualmente, cerca de 512 estudantes entre 10 e 16 anos participam das ações durante o turno diurno. A proposta mescla teoria com oficinas práticas, onde os jovens pesquisam, debatem episódios de violência escolar e criam materiais pedagógicos que abordam o tema.
Atividades realizadas
- Árvore do Bem e do Mal: reúne palavras que representam atitudes positivas e negativas.
- Semáforo do Respeito: classifica comportamentos em categorias que indicam quando agir, avaliar ou evitar determinada conduta.
- Criação de cartazes, frases motivacionais e representações de dispositivos tecnológicos para discutir o cyberbullying e sua presença no ambiente digital.
Objetivo e impacto
A intenção é que os estudantes deixem de ser apenas espectadores do conteúdo e participem ativamente da construção das ações. Mais do que criar cartazes, o projeto busca uma mudança real de comportamento, destacando que palavras e atitudes carregam consequências. Valores como respeito e empatia são incentivados para atuarem tanto dentro quanto fora da escola.
Resultados concretos
Ao longo do ano letivo, houve uma clara diminuição dos casos de bullying registrados pela coordenação da escola. Em março, foram contabilizados 12 casos; abril não apresentou registros; em maio foram 11; e nos meses de junho, julho e agosto, apenas um caso foi registrado em cada mês.
Apesar desses números positivos, a equipe reforça que o problema não desapareceu completamente. O progresso é atribuído ao envolvimento dos alunos e ao suporte oferecido pela escola, que inclui orientações e diálogo com os envolvidos nas situações de bullying. O impacto do projeto também chega às famílias, que relatam mudanças na postura dos filhos, especialmente na forma de lidar com respeito, empatia e comportamento nas redes sociais.
Experiência que inspira
A motivação para desenvolver o projeto surgiu da experiência pessoal da professora Edite, que enfrentou bullying na infância. Tímida e vinda do interior, ela passou por humilhações, perseguições e apelidos, o que a levou a idealizar uma forma de prevenir essas violências nas escolas.
Com mais de três décadas dedicadas à rede municipal e 14 anos no CEMC, Edite percebeu a necessidade de manter o tema sempre em pauta, visando construir um ambiente escolar mais seguro, acolhedor e comprometido com a paz.
Atuação no ambiente digital
O projeto também dedica atenção especial ao cyberbullying, que ocorre através de redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais. Os alunos são conscientizados sobre os impactos de comentários ofensivos, exposição indevida de imagens, ameaças e o compartilhamento de conteúdos que buscam constranger colegas no espaço virtual.
Além da sala de aula
Mais do que transmitir conhecimento, a iniciativa propõe ensinar o respeito às diferenças e incentivar o cuidado mútuo entre os estudantes. A expectativa é que essa reflexão se estenda para as famílias e para toda a comunidade, ampliando o diálogo sobre responsabilidade, respeito e convivência harmoniosa.





