O Brasil não é mais apenas o maior mercado de veículos eletrificados da América Latina, mas também o protagonista do avanço da eletrificação na região. No segundo trimestre de 2026, o país foi responsável por cerca de dois terços do crescimento nas vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in (BEV e PHEV), consolidando sua liderança na transição para a mobilidade elétrica no continente.

Crescimento acelerado dos veículos plug-in na América Latina

Entre abril e junho de 2026, as vendas desses veículos cresceram 137% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa expansão elevou a participação dos modelos plug-in para 10,7% do mercado de veículos leves na região — o maior índice já registrado até então.

Dos cerca de 108 mil veículos a mais vendidos na comparação anual, aproximadamente 66,7 mil unidades foram comercializadas no Brasil. Isso significa que quase dois terços do crescimento total da América Latina vieram do mercado brasileiro, puxados especialmente pelo segmento dos veículos elétricos a bateria, que apresentou maior avanço que os híbridos plug-in.

Top 10 países por vendas de veículos plug-in no 2º trimestre de 2026

Posição País Vendas (BEV + PHEV)
1 Brasil 107.344
2 México 28.427
3 Colômbia 17.352
4 Argentina 8.313
5 Uruguai 7.968
6 Chile 6.678
7 Equador 4.902
8 Costa Rica 3.767
9 Paraguai 2.079
10 Peru 835

Participação e liderança do Brasil no mercado

Além da liderança em volume absoluto, o Brasil encerrou o segundo trimestre com 13,5% de participação dos veículos plug-in no mercado de automóveis e comerciais leves — um percentual acima da média regional.

Porém, alguns países com mercados menores apresentam uma penetração proporcionalmente maior, como o Uruguai, que lidera com 40,6% de participação, seguido por Costa Rica (21,8%), Colômbia (20,6%) e Paraguai (15,2%). Essa diferença se explica pela escala: enquanto esses países trabalham com volumes reduzidos, o Brasil se destaca por seu elevado número de vendas, tornando seus avanços percentuais expressivos em termos absolutos.

Participação dos veículos plug-in no mercado regional (2º trimestre de 2026)

Posição País Participação
1 Uruguai 40,6%
2 Costa Rica 21,8%
3 Colômbia 20,6%
4 Paraguai 15,2%
5 Brasil 13,5%
6 Equador 11,7%
7 Chile 8,2%
8 México 7,3%
9 Argentina 6,1%
10 Panamá 1,3%

Produção local impulsiona o avanço

O crescimento do mercado brasileiro ocorre em paralelo a uma intensa transformação da indústria automotiva nacional. Fabricantes chinesas têm ampliado investimentos no país, aumentando a produção e montagem de veículos eletrificados localmente.

Entre as iniciativas, a BYD iniciou operações em Camaçari (BA) e a GWM em Iracemápolis (SP). Outras marcas, como Geely, GAC e Leapmotor, também avançam em seus planos industriais. A variedade de modelos oferecidos cresceu rapidamente, abrangendo desde compactos até SUVs e picapes híbridas.

Além disso, a expansão da infraestrutura de recarga é um fator essencial para a adoção dos veículos elétricos. Brasil e Chile se destacam com as redes públicas mais estruturadas, eliminando uma das principais barreiras para o crescimento do segmento.

Tendência de crescimento mantém ritmo em julho

Embora o levantamento analise apenas o segundo trimestre de 2026, os dados mais recentes já indicam que a expansão segue no início do segundo semestre.

Em julho, o Brasil registrou 264.775 emplacamentos de veículos leves, dos quais 61.781 eram eletrificados — o que representa 23,3% do total. Os veículos plug-in somaram 46.160 unidades, divididas em 25.764 elétricos a bateria, 19.842 híbridos plug-in e 554 elétricos de autonomia estendida.

Na prática, os modelos plug-in responderam por 17,4% do mercado brasileiro no mês, sendo que os BEVs sozinhos alcançaram 9,7% dos emplacamentos. Esses números confirmam a tendência de crescimento apontada pelo estudo e mostram que o Brasil continua avançando firmemente no setor.

Eletrificação caminha a passos largos na América Latina

No geral, o segundo trimestre de 2026 marcou um momento significativo para a região. Pela primeira vez, os veículos elétricos e híbridos plug-in ultrapassaram 10% de participação nas vendas de veículos leves, com quase 190 mil unidades vendidas no período.

Destaque para os veículos elétricos a bateria, que cresceram 162% em relação ao ano anterior, enquanto os híbridos plug-in tiveram expansão de 109%. Essa dinâmica fez com que os elétricos puros passassem a representar 58% das vendas de veículos plug-in na América Latina.

A combinação de maior oferta de modelos, queda gradual nos preços e ampliação da infraestrutura de recarga deve seguir impulsionando a eletrificação na região nos próximos meses. O papel estratégico do Brasil nesta expansão é cada vez mais evidente, influenciando diretamente os resultados continentais e reforçando a importância dos investimentos em produção local, variedade de veículos e redes de recarga para consolidar essa transição.

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