A alta no preço da cesta básica em Camaçari, o aumento do endividamento familiar e os impactos sociais causados pela inflação dos alimentos foram temas centrais de um recente episódio do CNCast, apresentado por Gisa Conceição. O programa contou com a participação da economista Amanda Maria, coordenadora do projeto Cesta Básica em Foco, da UNEB, e da socióloga Rita Brito, especialista em Ciências Sociais e pesquisadora das dinâmicas urbanas da cidade.
Valores e impacto da cesta básica
- Em março de 2026, o custo da cesta básica em Camaçari atingiu R$ 624,34, representando um aumento de 8,15% em comparação ao mês anterior.
- Para adquirir os alimentos essenciais, o trabalhador local despende cerca de 10 dias de trabalho.
- Produtos como tomate, banana e pão francês foram os que mais pressionaram o orçamento das famílias.
- O preço do tomate chegou a R$ 9,99 o quilo, influenciado pela entressafra, chuvas intensas, dificuldades logísticas e oferta reduzida.
- Uma família de quatro pessoas necessitaria de uma renda mensal superior a R$ 5,2 mil para manter um padrão básico de sobrevivência na cidade, algo distante da realidade da maioria.
Desigualdade econômica e social
A socióloga Rita Brito conectou esses números à estrutura social e urbana de Camaçari. Apesar da cidade abrigar um dos maiores polos industriais do país, a maior parte dos lucros gerados não fica na região. “Os impactos negativos ficam aqui, porém os benefícios são direcionados para fora do município e até do país”, afirmou.
Em seu estudo “Camaçari: Cidade Incompleta”, ela analisa como a industrialização afetou o espaço urbano, evidenciando que o crescimento econômico histórico não chegou de forma justa à população mais vulnerável. Muitas vezes, os trabalhadores qualificados nem sequer residem na cidade, que acaba ficando com os maiores ônus e poucos ganhos.
Endividamento em alta
- Atualmente, cerca de 80% das famílias brasileiras enfrentam algum tipo de dívida, cenário que também se reflete em Camaçari.
- O uso crescente de cartões de crédito e cheque especial é frequente para custear alimentos e despesas básicas.
- O fácil acesso ao crédito, somado à alta taxa Selic, resulta em um comprometimento cada vez maior da renda familiar.
Reflexões sobre consumo e educação financeira
A discussão também abordou a relação entre consumo, desigualdade e educação financeira. Foi defendida a necessidade de iniciar esse debate desde a base educacional, ampliando a conscientização cidadã. Muitas vezes, a sociedade cria falsas necessidades, levando o indivíduo a acreditar que o consumo é essencial para existir socialmente.
Contexto histórico e desigualdades
O programa também trouxe uma reflexão sobre a data de 13 de Maio, marcando a abolição da escravidão, e suas repercussões até os dias atuais. A exclusão da população negra após a libertação resultou em marginalização sem acesso à terra, educação ou trabalho digno. Nesse sentido, a defesa por políticas públicas de reparação e inclusão social foi destacada como fundamental.
A importância da informação e da pesquisa local
Ao longo do debate, foi enfatizado o papel da universidade na produção de dados e estudos que reflitam a realidade local, além do desenvolvimento de projetos ligados à educação financeira, inovação social, cidadania e gestão pública.
No encerramento, a importância de ampliar o acesso da população às informações econômicas e sociais foi reforçada, com o objetivo de promover mudanças concretas na qualidade de vida das famílias.





