O mercado automotivo brasileiro vive um momento de grandes mudanças. Estima-se que, até 2030, o setor possa crescer em torno de 500 mil veículos. Nesse cenário, as marcas chinesas devem desempenhar um papel ainda mais significativo, podendo adicionar mais de 700 mil unidades ao mercado nacional. Essa discrepância entre o crescimento total do mercado e a expansão das marcas chinesas indica uma transformação profunda: o aumento da demanda, sozinho, não será suficiente para acomodar todos os players.
Essa previsão pode se concretizar de diferentes formas. Algumas montadoras chinesas podem optar por estabelecer fábricas completamente novas no país, comprando terrenos, instalando linhas de produção modernas e desenvolvendo fornecedores locais. Outra possibilidade é o aproveitamento da capacidade ociosa das fábricas já existentes, o que inclui plantas paradas como a da Toyota em Indaiatuba (SP), fechada recentemente em julho, ou a da Caoa Chery em Jacareí (SP), inativa desde 2022 e atualmente sob risco de desapropriação pela prefeitura.
Marcas chinesas com planos no Brasil
- Geely
- GWM (com um segundo complexo em vista)
- Wuling
- MG
- Jetour
- Leapmotor
- Dongfeng
- Chery
- GAC
- Changan
- BYD
Essas fabricantes já anunciaram intenção de produção local, motivadas principalmente pela política tributária que impõe 35% de imposto de importação tanto para veículos completos quanto para kits desmontados. A partir de janeiro de 2027, essa regra deve fortalecer ainda mais a necessidade da fabricação nacional.
Movimentações da Kia no mercado brasileiro
A Kia também está em processo de assumir a importação e a produção no Brasil, afastando-se do Grupo Gandini, que deverá ser indenizado pelo desfecho. A negociação está sendo conduzida diretamente pela Kia, sem a participação da Hyundai. Curiosamente, o grupo sul-coreano possui apenas uma fábrica mundial dedicada à produção de modelos elétricos e híbridos, localizada na Geórgia, nos Estados Unidos, onde são fabricados veículos das duas marcas. Apesar disso, Kia e Hyundai mantêm operações comerciais concorrentes e independentes.





