Uma empresa baiana responsável pelo projeto da conexão ferroviária de passageiros entre Salvador e Feira de Santana se posicionou contra a exclusão dessa obra do plano de governo do atual candidato à reeleição. A companhia questiona a justificativa apresentada de que o alto custo da ferrovia seria motivo para priorizar um sistema de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) que ligaria Salvador, Camaçari e Alagoinhas.
Contestação do custo
No comunicado oficial, a empresa solicita a apresentação dos estudos que comprovariam que o VLT teria custo operacional e viabilidade econômico-financeira mais vantajosos que a ferrovia até Feira de Santana. Estima-se que o investimento necessário para a ferrovia, que terá cerca de 98 km de extensão, fique entre R$ 6,4 bilhões e R$ 6,8 bilhões.
Para contextualizar, o VLT planejado para Salvador e região metropolitana está em implantação com aproximadamente 40 a 44 km, com investimento oficial de R$ 5,4 bilhões, o que representa algo entre R$ 123 milhões e R$ 135 milhões por quilômetro.
“Uma simples comparação utilizando os investimentos ferroviários atuais do estado sugeriria que um corredor com cerca de 120 km teria custo muito superior a R$ 12 bilhões, podendo chegar a R$ 15 bilhões, dependendo do projeto final. Já os estudos para Salvador–Feira indicam um CAPEX abaixo de R$ 7 bilhões. Portanto, a questão do custo não pode ser simplificada dessa forma.”
Possibilidade de integração
A empresa acredita que os projetos do VLT e da ferrovia poderiam coexistir, compartilhando infraestrutura no acesso à Região Metropolitana de Salvador. Cerca de 11 quilômetros do corredor planejado para a ferrovia poderiam integrar a infraestrutura da rede metropolitana.
“Ao invés de construir duas linhas paralelas, os sistemas poderiam operar em uma única estrutura, preparada para diferentes níveis de serviço,” ressalta o comunicado. Isso poderia resultar numa redução de mais de R$ 1 bilhão no CAPEX total da linha Salvador–Feira, dependendo da definição técnica final.
Dessa forma, o investimento em direção a Camaçari e Alagoinhas poderia, paradoxalmente, tornar a ligação a Feira de Santana ainda mais viável, e não ser motivo para descartar o projeto ferroviário.
Alteração no plano de governo
O projeto da ferrovia entre Salvador e Feira de Santana não foi incluído no atual plano de governo do governador e candidato à reeleição. Nos planos eleitorais anteriores, a proposta de implantação da linha ferroviária de passageiros estava presente, com compromissos que variavam desde a implantação até a realização de estudos para um trem rápido com transporte misto entre as cidades.
Posicionamento da campanha
De acordo com a campanha do candidato, o projeto não foi abandonado, mas houve mudança de prioridade no programa participativo de governo. Os estudos indicaram que, nas condições atuais, o trem Salvador-Feira teria um custo elevado, dificultando sua viabilização.
“Por essa razão, incluímos no plano a proposta do VLT para o trecho Salvador-Camaçari-Alagoinhas como uma nova opção para ampliar a mobilidade sobre trilhos. Isso não significa o descarte da ligação ferroviária entre Salvador e Feira de Santana. Durante o mandato, o projeto poderá ser revisado a partir de novos estudos técnicos e econômicos.”
Investimentos e estudos em andamento
Em meados de 2025, foi confirmada a análise da autorização para que a empresa baiana possa executar a obra. No ano anterior, o Ministério dos Transportes anunciou um aporte de R$ 6,6 milhões para subsidiar os estudos de viabilidade para a implantação dessa ferrovia.
Esse investimento integra um programa federal que visa expandir o modal ferroviário no país, contemplando também outras linhas em fase de estudo, como Brasília–Luziânia, Londrina–Maringá e conexões metropolitanas em São Luís, Fortaleza e Pelotas.






