Em 17 de junho de 2026, participei de mais uma reunião da Fecomércio Bahia, instituição com a qual tenho uma relação próxima há quase vinte anos.
Esse encontro foi muito mais do que a simples aprovação de contas e decisões administrativas. Ele despertou reflexões sobre liderança, convivência e responsabilidade coletiva.
O encontro e a metáfora das relações humanas
A reunião, conduzida pelo presidente Kelson Fernandes e contando com a presença dos conselheiros, aprovou as contas do exercício 2025/2026. Ao final, houve uma reflexão profunda sobre o “cemitério” das relações humanas, uma metáfora forte que fala das perdas, das decepções e dos rompimentos que fazem parte da vida pessoal.
Instituições e sua missão maior
Saí pensando: será que instituições também têm cemitérios? A resposta parece clara – não. Diferente das pessoas, que têm liberdade de escolher suas relações, as instituições existem para representar coletividades maiores, acolher diversas opiniões e construir caminhos comuns que beneficiem todos.
Assim, Fecomércio, Sesc, Senac, sindicatos e todo o Sistema Comércio não pertencem a indivíduos ou grupos pessoais, mas sim aos empresários que os mantêm, aos trabalhadores que deles dependem e à sociedade que deles se beneficia.
Democracia e convivência com as diferenças
- Quando uma eleição termina, o objetivo não deve ser criar vencedores absolutos e perdedores definitivos.
- Uma instituição fortalecida reúne talentos, experiências e contribuições diversas para alcançar um propósito comum.
- A divergência é a essência da democracia – onde todos pensam igual, não há debate, mas submissão.
- As instituições mais resistentes foram aquelas que souberam conviver com opiniões diferentes, sem transformar adversários em inimigos.
Liderança além das posições
Muitos líderes já ocuparam cargos na representação empresarial, alguns deixando legados marcantes, outros enfrentando críticas e desafios. Porém, a instituição sempre esteve acima de qualquer nome ou cargo.
O verdadeiro papel da liderança não é calar as vozes discordantes, mas saber ouvi-las. Não consiste em erguer barreiras entre as pessoas, mas em construir pontes que aproximem diferentes perspectivas.
É importante abrir espaço para as diferenças, transformando-as em oportunidades para o crescimento coletivo. Quem lidera inevitavelmente enfrenta críticas, e isso faz parte do processo.
Legados que permanecem
O que distingue grandes líderes não é a ausência de questionamentos, mas a habilidade de aprender com eles e crescer. Após cada mandato, eleição ou disputa, cargos e nomes passam; o que fica é o legado.
As maiores conquistas são daqueles que respeitam as divergências, dialogam e constroem consensos, demonstrando verdadeira grandeza.
Que continuemos a escolher o caminho das pontes, pois instituições fortes não silenciando as diferenças, mas transformando-as em união, desenvolvimento e progresso coletivo.





