Uma montadora chinesa de veículos elétricos está investindo fortemente em uma megafábrica localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, Bahia. A expectativa é de empregar até 10 mil trabalhadores até 2026. Esse estabelecimento, instalado no antigo complexo industrial deixado pela Ford, já é considerado o maior polo fabril da empresa fora da Ásia.
Emprego em crescimento acelerado
Desde o início das operações, em 9 de outubro do ano anterior, a fábrica tem funcionado em ritmo acelerado. Atualmente, cerca de 6.900 brasileiros trabalham no local, divididos entre atividades na operação e nas obras.
- 3.200 colaboradores atuam diretamente na produção.
- 3.700 estão envolvidos nas obras através de empresas contratadas.
- Há planos para criar mais 3 mil vagas, priorizando profissionais locais.
- Assim, o total de funcionários deverá atingir 10 mil até 2026.
Produção diária e investimentos
Após aproximadamente três meses de funcionamento, a fábrica já monta cerca de 420 veículos por dia. É a primeira unidade da montadora no Brasil dedicada à fabricação de carros e recebeu um investimento da ordem de R$ 5,5 bilhões.
O complexo cobre uma área equivalente a 646 campos de futebol, aproveitando a infraestrutura herdada da Ford, que encerrou suas operações no local em 2021.
Inicialmente, a expectativa era fabricar 150 mil veículos anualmente, aumentando gradualmente para 300 mil. Contudo, essa meta foi revisada para 600 mil unidades por ano, quando a fábrica alcançar sua capacidade plena.
Além de atender ao mercado interno, a produção será destinada à exportação para países da América Latina, África e outras regiões internacionais.
Modelos produzidos em Camaçari
Atualmente, o complexo realiza a montagem de diversos modelos, com as carcaças sendo importadas da Ásia pelo Porto de Salvador. Após a chegada, são adicionados motores, faróis, pneus e outros componentes essenciais.
Está prevista para 2026 a fabricação do modelo híbrido Song Pro Plus, ampliando a linha de veículos produzidos localmente.
Denúncias de condições irregulares de trabalho
Em dezembro de 2024, mais de 224 trabalhadores chineses foram resgatados de condições análogas à escravidão nas obras da fábrica. Em abril do mesmo ano, a empresa foi incluída na chamada “lista suja” do governo federal em razão dessas irregularidades.
Investigações revelaram que esses trabalhadores viviam amontoados em alojamentos precários, sob vigilância armada que impedia sua saída. O passaporte deles era retido e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e falta de descanso semanal.
Alguns relatos apontaram que um acidente sofrido por um funcionário estava relacionado à exaustão causada pela ausência de folgas.
Além disso, foi constatado que entraram no país com vistos que não correspondiam às funções exercidas no local.
Um ano após o resgate, foi firmado um acordo no valor de R$ 40 milhões envolvendo a montadora e as empresas contratadas para a construção da fábrica, visando reparar as irregularidades encontradas.
Posicionamento da empresa
Quando os problemas vieram à tona, a empresa culpou a construtora terceirizada pelas irregularidades e encerrou o contrato com essa parceira.
A montadora afirmou não tolerar qualquer desrespeito à legislação trabalhista ou à dignidade humana, providenciando a transferência dos trabalhadores afetados para hotéis nas proximidades.
Após o acordo, reafirmou seu compromisso inegociável com os direitos humanos e indicou que fará manifestações formais no processo movido pela autoridade trabalhista.




