Na última quarta-feira (3), foram divulgados os resultados do Ciclo de Monitoramento Marinho 2025, um estudo contínuo que avalia as condições ambientais na área influenciada pelo emissário submarino situado na costa de Arembepe, em Camaçari. O evento contou com a presença de membros da comunidade local, especialistas ambientais, pesquisadores e técnicos responsáveis pelo acompanhamento da região.

Qualidade da água e sedimentos

A primeira parte da apresentação foi conduzida por uma bióloga especialista em monitoramento oceanográfico, que detalhou os principais resultados relacionados à qualidade da água, sedimentos marinhos e ao efluente tratado lançado pelo emissário submarino.

Foram avaliados diversos parâmetros ambientais, como:

  • pH (potencial hidrogeniônico)
  • Níveis de oxigênio dissolvido
  • Temperatura da água
  • Salinidade
  • Concentração de nutrientes
  • Presença de metais

Todos esses indicadores permaneceram dentro dos limites estabelecidos pela legislação ambiental vigente e mostraram-se alinhados ao histórico de dados da área monitorada, sem alterações significativas.

As análises da coluna d’água confirmaram que os compostos presentes no efluente tratado não provocaram impactos relevantes na qualidade ambiental das estações oceânicas fiscalizadas.

Quanto aos sedimentos marinhos, as avaliações seguiram os padrões da Resolução Conama nº 454/2012, analisando nutrientes, carbono orgânico e metais. Os resultados indicam que as concentrações permaneceram dentro das referências normativas.

Biodiversidade e comunidades bentônicas

Um professor doutor do Instituto de Biologia de uma universidade local apresentou os estudos sobre as comunidades bentônicas, organismos que vivem no fundo do mar e são fundamentais para avaliar a saúde dos ecossistemas costeiros.

Com base em mais de 20 anos de monitoramento, os dados coletados entre 2002 e 2025 indicam:

  • Não houve mudanças significativas na composição ou na estrutura das comunidades bentônicas
  • Algas marinhas e organismos invertebrados mantiveram padrões constantes de biodiversidade e distribuição
  • As variações detectadas estão relacionadas a fatores naturais, como hidrodinâmica, turbidez, salinidade, temperatura e o tipo de fundo oceânico, predominando areia e lama

Além disso, a riqueza das espécies mostrou melhor desempenho em condições ambientais favoráveis, evidenciando a influência dos processos naturais sobre a dinâmica ecológica local.

Investimentos e infraestrutura

Foram destacados ainda os recursos aplicados para manter a integridade operacional do emissário submarino, que ultrapassam R$ 21 milhões desde 2018. Estes investimentos contemplam inspeções regulares, manutenção preventiva e corretiva da estrutura.

O monitoramento subaquático envolveu aproximadamente 5 mil mergulhos técnicos e mais de 2.500 horas de inspeção, garantindo o funcionamento adequado do sistema. Melhorias estruturais também foram implantadas, como a instalação de difusores laterais para ampliar a dispersão do efluente tratado e evitar seu afloramento na superfície.

Conclusão dos especialistas

No encerramento do encontro, os especialistas ressaltaram que os dados do Ciclo de Monitoramento Marinho 2025 continuam coerentes com a série histórica construída ao longo de mais de 20 anos. Não foram identificadas alterações significativas na qualidade da água, sedimentos ou na biodiversidade marinha na área impactada pelo emissário submarino.

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