Situado entre os rios Jacuípe e Pojuca, o distrito de Monte Gordo é um lugar onde a natureza exuberante se mistura às tradições que resistem ao tempo. A comunidade mantém viva a sua história por meio de manifestações culturais que são cuidadosamente preservadas e celebradas pelos seus moradores, apaixonados pelo local onde vivem.
Uma conexão entre passado e presente
Essa mistura de passado e presente está presente no dia a dia da região e revela a essência de Monte Gordo. A dedicação dos habitantes em manter vivas suas raízes faz com que a cultura local se perpetue, mesmo diante das transformações ao redor.
A história pela voz de uma moradora
Para Marta Pereira, professora aposentada de 74 anos, o amor por Monte Gordo é profundo e inabalável. Nascida e criada no distrito, ela acompanhou de perto seu crescimento e não troca este lugar por nenhum outro.
“Passei toda minha vida aqui estudando e trabalhando. Viajei para vários lugares, mas Monte Gordo sempre será meu lar. Fico incomodada quando algumas pessoas da região não valorizam o que temos aqui e não entendem a verdadeira essência desta terra”, compartilha Marta.
Cultura viva e preservada
Segundo Marta, o que torna Monte Gordo tão especial é justamente a riqueza cultural que permanece, mesmo com as mudanças. Na infância dela, por exemplo, haviam diversas celebrações tradicionais, como as festas de São Bento, o Bumba Meu Rei, e o Bangariô, entre outras manifestações que fortaleciam as tradições locais.
Ela destaca ainda a beleza natural da região, que continua preservada, mantendo o equilíbrio entre cultura e natureza.
Resgatando manifestações culturais
Com o propósito de reviver e partilhar essas tradições com as novas gerações, o pedagogo Lucas Gois criou o projeto “Historiando Monte Gordo”. Por meio desse trabalho, ele resgata as manifestações culturais que estavam esquecidas, apresentando-as novamente à comunidade.
Lucas conta que, quando criança, já percebia a diminuição dessas expressões culturais. Muitas pessoas envolvidas no passado tinham deixado de praticar as tradições, principalmente pela idade avançada.
“Minha avó, chamada Bangariô, foi uma inspiração para buscar outras pessoas da comunidade e reanimar toda essa cultura que estava quase desaparecendo. Hoje, graças ao nosso grupo, mais de 20 manifestações culturais foram resgatadas e ganham nova vida,” relata.
A importância da memória e do moradores
Para Lucas, valorizar a história de cada habitante é fundamental. Ele acredita que o principal tesouro da comunidade está em seus anciãos, cujas experiências representam uma riqueza incalculável.
“Cada pessoa é um universo de histórias e aprendizados. É essa diversidade e o respeito pelo passado que tornam Monte Gordo um lugar encantador,” ressalta.
Olhar para o futuro a partir das raízes
Além de preservar as tradições, Lucas enfatiza a necessidade de compreender a trajetória histórica para construir um futuro promissor. Conhecer as origens é essencial para saber a direção a seguir.
“Nossa comunidade tem uma história rica, mas infelizmente pouco conhecida. Para avançar, precisamos entender de onde viemos e valorizar essa herança cultural que nos define,” conclui.
Identidade entre natureza e cultura
Monte Gordo mantém uma identidade singular, construída ao longo dos anos pelos moradores que, mesmo diante dos desafios, lutam para o progresso da comunidade sem esquecer seu maior patrimônio: o seu povo e suas tradições.





