A Polícia Federal identificou 232 chamadas realizadas pelo WhatsApp entre ACM Neto (União Brasil) e o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.

As informações aparecem na decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 10ª fase da Operação Overclean. O conteúdo também foi divulgado pelo Valor Econômico e posteriormente republicado pela Rede Seta.

Segundo a investigação, a Polícia Federal avalia a possibilidade de ACM Neto ocupar uma posição de liderança política acima de José Marcos de Moura dentro da estrutura investigada.

Moura foi indiciado pela PF em etapas anteriores da operação por suspeitas relacionadas a corrupção, fraude em licitações e desvio de recursos públicos. As suspeitas, entretanto, fazem parte de uma investigação e não representam, por si só, uma condenação judicial.

Influência em nomeações em Belo Horizonte

Um dos elementos analisados pela PF envolve a Prefeitura de Belo Horizonte.

De acordo com a decisão de Nunes Marques, José Marcos de Moura teria informado ao então prefeito da capital mineira, Fuad Noman, que precisaria consultar ACM Neto antes de definir quais secretarias seriam ocupadas por pessoas indicadas por ele.

A investigação também cita uma conversa envolvendo uma servidora municipal.

Em junho de 2024, Flávia Pamplona, que era assessora do secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, teria afirmado que sua nomeação havia sido aprovada por ACM Neto.

Para os investigadores, esses episódios poderiam indicar influência política do ex-prefeito de Salvador sobre nomeações na administração municipal de Belo Horizonte.

PF pediu busca, mas ministro do STF negou

Durante a investigação, a Polícia Federal solicitou autorização judicial para realizar buscas relacionadas a ACM Neto.

O pedido, porém, foi negado pelo ministro Kassio Nunes Marques.

Na decisão, o ministro avaliou que os elementos apresentados pela PF apontavam para uma possível atuação política de ACM Neto, mas considerou que não havia fundamentação suficiente para autorizar a realização da busca contra o candidato.

A negativa da medida não representa uma conclusão definitiva sobre os fatos investigados.

A 10ª fase da Operação Overclean foi deflagrada em 17 de setembro e investiga suspeitas relacionadas a contratações da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.

Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em seis estados. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, pelo menos três contratos analisados ultrapassam R$ 80 milhões.

Operação começou na Bahia

A Operação Overclean teve início em 2024, na Bahia, com investigações sobre suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos.

Com o avanço das apurações, a Polícia Federal passou a investigar possíveis ramificações do grupo em outros municípios e estados.

José Marcos de Moura, um dos empresários investigados, atua no setor de limpeza urbana e já foi alvo de outras fases da operação.

Na etapa atual, os investigadores analisam contratos relacionados à área de Educação de Belo Horizonte, firmados entre 2024 e 2025, incluindo a possibilidade de direcionamento de procedimentos para a contratação de serviços e materiais didáticos.

ACM Neto nega envolvimento

Em manifestação divulgada por sua assessoria, ACM Neto negou ter relação com os fatos investigados.

O candidato afirmou que a divulgação das informações representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral.

Neto também declarou que, desde o início da Operação Overclean, não houve apontamento de conduta sua relacionada à prática de ato ilícito.

Segundo o político, a decisão do STF que negou o pedido de busca demonstraria a inconsistência das suspeitas apresentadas contra ele.

A defesa de José Marcos de Moura não havia se manifestado sobre as novas informações até a publicação da reportagem.

As investigações continuam sob responsabilidade das autoridades competentes, e os elementos reunidos pela Polícia Federal ainda serão submetidos à análise judicial e às manifestações dos investigados.

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