Um relatório da Polícia Federal, incluído nos autos de um caso em análise no Supremo Tribunal Federal, revela suspeitas envolvendo um investimento de R$ 15 milhões realizado pelo Instituto de Seguridade do Servidor Municipal de Camaçari (ISSM) no fundo Sculptor, em novembro de 2017. Essa aplicação ocorreu durante a administração do então prefeito Elinaldo Araújo, aliado político de destaque na região.
Detalhes da Operação
- A adesão de Camaçari ao fundo Sculptor aconteceu em um momento de dificuldades financeiras já evidentes na carteira do fundo.
- O município foi o último cotista a entrar na operação, conforme registro da Polícia Federal.
- De um total de R$ 15 milhões aportados, cerca de R$ 12,97 milhões foram posteriormente usados para cobrir resgates de outros investidores.
Possíveis Irregularidades
- A investigação sugere que Renato de Matteo Reginatto, vinculado à consultoria responsável pela operação, teria oferecido vantagens indevidas a dirigentes do ISSM para garantir o aporte no fundo.
- O documento, no entanto, não menciona nomes específicos dos supostos beneficiários nem comprova pagamentos realizados.
- Documentos apreendidos indicam a existência de “comissões por indicações” que variavam entre 2% e 20% em operações envolvendo regimes próprios de previdência.
- Não há evidências concretas ligando a comissão máxima ao investimento feito pelo ISSM.
Posicionamento da Prefeitura
Em 2018, a administração municipal negou qualquer negligência e afirmou que foram tomadas medidas para enfrentar os problemas apontados.
Contexto Político
O caso ganhou maior visibilidade após acusações envolvendo a captação de recursos para o Banco Master, com supostas comissões de 10%. As alegações foram rejeitadas pelo político acusado, que as classificou como infundadas e falsas.
Resposta do Ex-Prefeito
- Elinaldo Araújo afirmou que não é réu na ação penal vinculada aos investimentos do ISSM e não consta entre os denunciados pelo Ministério Público Federal.
- Destacou que as suspeitas emergiram durante sua própria gestão, quando foi aberta sindicância e o caso encaminhado às autoridades competentes.
- Ressaltou ainda que o ISSM tem autonomia financeira e administrativa.
- Informou que, após identificar indícios de irregularidades, o instituto solicitou o resgate integral dos recursos em agosto de 2018.
- Defendeu que todas as responsabilidades devem ser esclarecidas com base em provas, afastando qualquer relação motivada por questões políticas ou eleitorais.






