Venda de imóvel de senador é suspensa após investigação
Um terreno de 51 mil metros quadrados em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, que estava sendo vendido pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) por R$ 15,8 milhões, teve a negociação interrompida. A tentativa de conclusão da venda ocorreu um dia após a Polícia Federal realizar mandados de busca e apreensão contra o senador durante a Operação Compliance Zero.
O cartório responsável interrompeu o processo após receber uma ordem judicial de bloqueio de bens, emitida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Detalhes das transações
- O comprador do terreno é Marcelo Passos de Araújo, prefeito de Conceição do Coité (União Brasil).
- Além do terreno, ele adquiriu também um apartamento de alto padrão no Corredor da Vitória, em Salvador, avaliado em R$ 10 milhões.
- O valor total das duas operações soma R$ 25,8 milhões.
- Apesar da suspensão da transferência definitiva dos imóveis, Wagner já teria recebido pelo menos R$ 12 milhões das negociações.
Contexto da investigação e impacto
A sequência dos eventos chamou atenção dos investigadores. No dia 18 de junho, a Polícia Federal cumpriu os mandados de busca contra o senador durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao pagamento de propina envolvendo o Banco Master.
No dia seguinte, a defesa de Wagner tentou registrar a transferência do terreno, mas o cartório suspendeu o processo devido à ordem judicial que bloqueia os bens do senador.
Valorização do imóvel
- O terreno foi comprado por Jaques Wagner em 2000 por R$ 28 mil.
- Corretores estimam que o valor atualizado da área fica em torno de R$ 12 milhões, inferior aos R$ 15,8 milhões estipulados para a venda.
- O imóvel seria utilizado em um projeto imobiliário vinculado ao Grupo City.
Posições dos envolvidos
O prefeito Marcelo Passos afirmou que a compra ocorreu de forma regular, alegando ser um “terceiro de boa-fé”. Em comunicado ao STF, ele ressaltou que os contratos foram assinados no final de 2025 e os pagamentos foram quitados em abril deste ano, antes da operação policial ser divulgada.
Por sua vez, o advogado de Wagner negou qualquer irregularidade nas negociações e afirmou que o senador não comentaria o caso, mantendo a posição de que não há ilegalidades nas transações.
Desdobramentos políticos
Os desdobramentos da investigação tiveram impacto na esfera política. O senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo federal no Senado após o avanço das apurações e o bloqueio de seus bens.
Mesmo com essas mudanças, ele mantém a pré-candidatura à reeleição prevista para 2026.





